Escolha sua pod-aventura

Antes da internet havia o livro. E se você sabia ler naquela época deve se lembrar daqueles livrinhos magrelos de 42 finais diferentes ou “escolha sua aventura” que ao chegar no final da página você escolhia entre duas ou mais ações e então ia para a página indicada. Lembra? Eram publicados pela Ediouro e seguiram até no início da era dos RPGs. Poisé, agora um maluco resolveu fazer o mesmo esquema num programa de rádio, versão podcast. As instruções você lê aqui e no archive.org você baixa o programa inteiro.

Bruna Surfistinha: The Scorpion’s Sweet Venom

Do Brasil para o mundo: Livro de Bruna Surfistinha (O Doce Veneno Do Escorpião: o diário de uma garota de programa) tem data de lançamento marcada para 6 de Fevereiro de 2007 nos Estados Unidos. O título em inglês é The Scorpion’s Sweet Venom: Memoir of a Brazilian Call Girl, será publicado pela Bloomsbury USA e já está na pré-venda do Amazon com um bom desconto.

O inédito texto de Caio Fernando Abreu

Qualquer coisa

Fica parado à porta e eu nem vejo, estou de costas fazendo coisas como escrever, limpar cinzeiros ou olhar o céu pela janela. Fica parado à porta uma porção de tempo, e eu nem vejo, mas dura pouco. Em seguida algum toque quente como um olhar fixo começa a me queimar a nuca, então abandono o que estou fazendo, seja o que for, e não sei bem se me volto lenta ou rapidamente, para surpreendê-lo no momento exato de baixar os olhos e afastar a mão apoiada na parede, como se recém chegasse e estivesse parado ali uma porção de tempo, olhando. Sei que está azul, ou verde, ou branco, talvez os três juntos, talvez outros ainda, talvez nenhum: mas me volto rápida ou lentamente, e nesse movimento qualquer coisa que tenho entre as mãos cai ao chão, e antes de dizermos qualquer coisa há a necessidade quase milenar de curvar-se para apanhar o objeto caído, um livro, um cigarro, provavelmente uma estrela. E só depois ou durante o tempo em que vêm subindo no ar as mãos douradas segurando essa coisa qualquer é que nos olhamos e começo a entrar no mar sem medo antigo, e pela primeira vez, a água não parece fria nem escura, nem arde nos olhos quando mergulho(…)

O texto na íntegra está aqui.
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