{"id":3524,"date":"2008-09-24T12:18:00","date_gmt":"2008-09-24T15:18:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ovelhaeletrica.com\/blog\/?p=3524"},"modified":"2008-09-24T12:22:04","modified_gmt":"2008-09-24T15:22:04","slug":"eutanasia-veterinaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ovelhaeletrica.com\/blog\/2008_09_24_eutanasia-veterinaria.html","title":{"rendered":"Eutan\u00e1sia veterin\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p>J\u00e1 me deparei com essa quest\u00e3o: Fazer ou n\u00e3o fazer a eutan\u00e1sia em um animal de estima\u00e7\u00e3o? Sentia que algo estava errado em tirar a vida do bicho, mesmo que fosse para &#8220;evitar o sofrimento&#8221;. Hoje li esse texto do m\u00e9dico veterin\u00e1rio Juan Agust\u00edn G\u00f3mez, que para mim foi extremamente esclarecedor e deu a resposta que me ajudou a definir o que penso. O texto \u00e9 longo, mas para quem tiver interesse no assunto vale a pena. A sugest\u00e3o \u00e9 copiar e colar no Word ou at\u00e9 imprimir para ler fora da tela.<\/p>\n<p><strong>Reflex\u00f5es sobre a eutan\u00e1sia<\/strong><br \/>\nDepois de alguns anos de pr\u00e1tica na cl\u00ednica de pequenos animais, foi-se desenvolvendo em mim uma crescente inquietude acerca deste tema. Sempre achei necess\u00e1rio ter uma posi\u00e7\u00e3o, uma atitude coerente e sobretudo honesta frente a esta situa\u00e7\u00e3o onde tantas vezes me vi envolvido. Em muitas destas vezes, o resultado mecanicamente escolhido estava de acordo com os &#8220;usos e costumes&#8221; social e profissionalmente aceitos. Passaram-se uns tantos anos: acumulei experi\u00eancia, observei com cuidado e aten\u00e7\u00e3o, incorporei informa\u00e7\u00e3o e atualmente creio poder expressar uma opini\u00e3o. Antes de tudo, devemos esclarecer o significado da palavra eutan\u00e1sia, com o prop\u00f3sito de que todos saibam a que nos referimos quando a mencionamos. Pessoalmente acho que \u00e9 empregada de forma incorreta uma vez que, segundo sua etimologia, significa &#8220;boa morte&#8221; ou &#8220;bem morrer&#8221; e o dicion\u00e1rio a define como &#8220;morte sem sofrimento&#8221;. Raramente aquele que a pratica se det\u00e9m para pensar se est\u00e1 provocando algum tipo de sofrimento em sua v\u00edtima. Recordemos, como exemplo, o tristemente difundido uso de miorrelaxantes que, simplesmente, matam por asfixia. Vou tratar apenas da situa\u00e7\u00e3o limite que ocorre na rela\u00e7\u00e3o entre paciente, propriet\u00e1rio e m\u00e9dico veterin\u00e1rio, na pr\u00e1tica di\u00e1ria da cl\u00ednica de pequenos animais, excluindo aqui todas as outras circunst\u00e2ncias, raz\u00f5es e meios pelos quais chega-se a decidir que um ou v\u00e1rios animais devem morrer. A an\u00e1lise das motiva\u00e7\u00f5es culturais, sociais, sanit\u00e1rias e econ\u00f4micas implica em um conhecimento t\u00e9cnico amplo e profundo de cada um desses campos e n\u00e3o me parece prudente trat\u00e1-los superficialmente. De todo modo, qualquer que seja o ponto de partida, a meta \u00e9 a reivindica\u00e7\u00e3o de um princ\u00edpio \u00e9tico fundamental: o respeito pela vida em todas as suas formas. Da mencionada rela\u00e7\u00e3o entre paciente, propriet\u00e1rio e m\u00e9dico veterin\u00e1rio, tentarei analisar, primeiro, as diversas atitudes de dois de seus membros. Deste modo, sigo o costume estabelecido em nosso meio: prescindir da opini\u00e3o do terceiro. Deixarei para o final a observa\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o e a atitude deste terceiro personagem que \u00e9, obviamente, o paciente. \u00c9 imprescind\u00edvel que o m\u00e9dico veterin\u00e1rio e o propriet\u00e1rio coincidam em sentido afirmativo para que o fato aconte\u00e7a. Por que o propriet\u00e1rio decide que seu animal deve morrer? Porque est\u00e1 muito velho, surdo, quase cego e caminha com dificuldade e &#8221; ele n\u00e3o pode suportar&#8221; v\u00ea-lo nestas condi\u00e7\u00f5es, recordando os momentos felizes que passou vendo-o brincar quando era jovem. Porque, ainda que seja jovem, &#8220;ele n\u00e3o tolera &#8221; v\u00ea-lo com esse aspecto horr\u00edvel da enfermidade da pele, cr\u00f4nica e t\u00e3o rebelde aos tratamentos e que, por outro lado, produz um cheiro t\u00e3o desagrad\u00e1vel, &#8220;pobrezinho&#8221;(?). Porque a enfermidade \u00e9 grave, com poucas possibilidades de ser superada e &#8220;ele sofre muito&#8221; pensando que, ap\u00f3s tanta luta e dor, de qualquer forma seu animalzinho pode morrer. Porque a situa\u00e7\u00e3o familiar derivada da preocupa\u00e7\u00e3o pela enfermidade do animal, &#8220;tornou-se insustent\u00e1vel&#8221;. Porque, sinceramente, cr\u00ea que existe uma possibilidade de poupar sofrimentos supostamente in\u00fateis em um animal que ama de verdade. Porque aceita o conselho do m\u00e9dico veterin\u00e1rio. Os quatro primeiros casos _ cujos argumentos tenho ouvido, quase textualmente, com muita freq\u00fc\u00eancia _ s\u00e3o o resultado de uma atitude absolutamente ego\u00edsta, referindo-se \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o que o dono tem pelo seu pr\u00f3prio bem-estar e esquecendo de considerar quem de fato necessita. Quem nos deu tantos momentos felizes durante muitos anos, merece que dediquemos alguns meses de esfor\u00e7o e alguma preocupa\u00e7\u00e3o para ajud\u00e1-lo a transitar sem dor pelos \u00faltimos momentos de sua vida. O ser que nos orgulhou com sua beleza n\u00e3o merece ser condenado \u00e0 morte porque momentaneamente n\u00e3o satisfaz \u00e0s necessidades est\u00e9ticas de nossa vaidade. Nossa pr\u00f3pria dor pelo enfermo que sofre n\u00e3o pode ser contemplada antes da dor do enfermo, porque \u00e9 ele quem necessita de ajuda. E a situa\u00e7\u00e3o familiar? Muitas vezes se invoca a presen\u00e7a das crian\u00e7as, para as quais a situa\u00e7\u00e3o resultaria uma experi\u00eancia desagrad\u00e1vel. Porque n\u00e3o aproveitar para brind\u00e1-las com um exemplo de solidariedade para com aquele que sofre e de amor pela vida? Os motivos expressados nos casos 5 e 6 merecem ser inclu\u00eddos nas considera\u00e7\u00f5es gerais. Seria bom pensar se por tr\u00e1s desse &#8220;poupar sofrimento&#8221; n\u00e3o se oculta a inten\u00e7\u00e3o de livrar-se de um verdadeiro peso ou se o conselho do profissional n\u00e3o \u00e9 apropriado e oportuno para aliviar um sentimento de culpa pela consuma\u00e7\u00e3o de um ato que n\u00e3o se poderia levar a cabo sem a presen\u00e7a de um c\u00famplice. Por que o m\u00e9dico veterin\u00e1rio decide que seu paciente deve morrer? Porque o considera incur\u00e1vel. Porque as escassas possibilidades de cura n\u00e3o justificam os esfor\u00e7os de todo tipo que deveriam ser realizados. Para poupar seu paciente de sofrimentos &#8221; supostamente in\u00fateis&#8221;. Porque o propriet\u00e1rio pede. O progn\u00f3stico de incurabilidade \u00e9 pronunciado com freq\u00fc\u00eancia de forma muito chamativa, a tal ponto que caberia questionar a utilidade de tantos anos de estudos realizados por veterin\u00e1rios, uma vez que, aparentemente, s\u00f3 s\u00e3o &#8220;atend\u00edveis&#8221; as enfermidades que n\u00e3o apresentam verdadeira gravidade. Como m\u00e9dico veterin\u00e1rio, devo confessar que o progn\u00f3stico de incurabilidade, sobretudo se o diagn\u00f3stico vem acompanhado de alguns exames complementares e a senten\u00e7a \u00e9 pronunciada em tom acad\u00eamico, \u00e9 uma sa\u00edda elegante cheia de vantagens. A saber: Libera da responsabilidade de enfrentar um tratamento com probabilidades de fracassar. Os fracassos, ainda que em casos grav\u00edssimos, sempre provocam certa perda de prest\u00edgio. Alivia o esfor\u00e7o de trabalho e dedica\u00e7\u00e3o que significa um enfermo grave. No caso da eutan\u00e1sia ser aceita pelo propriet\u00e1rio (coisa muito prov\u00e1vel), acaba-se prontamente com um &#8220;caso problema&#8221;, dispondo-se de mais tempo para as vacina\u00e7\u00f5es e casos sem gravidade, que s\u00e3o a fonte mais importante de ingressos f\u00e1ceis. Pessoalmente, quando, diante de um caso muito grave, me requerem um progn\u00f3stico definitivo, costumo responder que s\u00f3 podemos estar seguros daquilo que conhecemos com certeza, por\u00e9m este tipo de conhecimento certeiro \u00e9 muito escasso entre os homens. O que conhecemos \u00e9 \u00ednfimo em rela\u00e7\u00e3o ao que n\u00e3o conhecemos. Deste modo, ningu\u00e9m, ningu\u00e9m em absoluto, pode ter a certeza, a seguran\u00e7a de que um paciente indefectivelmente morrer\u00e1. Dito de outra maneira, s\u00f3 poderemos assegurar a incurabilidade de um paciente quando este estiver morto. Todos os milagres s\u00e3o simples evid\u00eancias de nossa ignor\u00e2ncia. Continuo assombrado cada vez que presencio a cura de um caso que, de acordo com o diagn\u00f3stico da entidade cl\u00ednica, perfeitamente realizado, deveria ser considerado como perdido. Da mesma forma, me assombro diante do fatal desenlace de casos que aparentemente estavam bem controlados. Sendo assim, podemos nos perguntar: devemos condenar um animalzinho \u00e0 morte simplesmente porque ignoramos a forma de cur\u00e1-lo? Nossa miss\u00e3o como m\u00e9dicos \u00e9 lutar pela vida do enfermo, tratando sempre de cur\u00e1-lo ou ao menos alivi\u00e1-lo, com todos os meios dispon\u00edveis, colocando-nos ao seu lado e n\u00e3o ao lado da enfermidade e da morte.<\/p>\n<p>Todo ser vivo tem o direito de ser favorecido pelo &#8220;milagre&#8221; e n\u00e3o podemos negar-lhe esta oportunidade. Com freq\u00fc\u00eancia, esquece-se de consultar outros profissionais e especialmente evita-se recorrer a outro tipo de medicina n\u00e3o convencional ou a m\u00e9todos considerados m\u00e1gicos ou curandeiros, como se o dogma cient\u00edfico fosse mais importante que a vida do paciente.<\/p>\n<p>Como podemos trair aquele que nos pede ajuda e confia em n\u00f3s?<br \/>\nO orgulho pessoal, a necessidade de prest\u00edgio, considera\u00e7\u00e3o e, inclusive, o interesse material, valem mais que a vida e o bem-estar de nosso paciente? Aprofundando um pouco mais, afirmo que os homens, qualquer que seja o grau de autoridade cient\u00edfica, social ou cultural alcan\u00e7ado, n\u00e3o temos o direito de destruir aquilo que somos incapazes de criar e cujo profundo mist\u00e9rio desconhecemos: a vida. Na situa\u00e7\u00e3o analisada, quando falo de vida, refiro-me especificamente \u00e0 vida do paciente. Tratarei agora da condi\u00e7\u00e3o do &#8220;terceiro personagem&#8221;, a quem considero o mais importante. Se ele pudesse falar e lhe pergunt\u00e1ssemos sua opini\u00e3o, o que diria? Se ele pudesse&#8230; por\u00e9m&#8230; n\u00e3o pode? Quantos de n\u00f3s e, quantas vezes, nos detivemos a escutar sua voz?<\/p>\n<p>Todos os animais s\u00e3o capazes de fazer-nos saber o que querem, o que sentem, especialmente se convivemos com eles. No caso de animais doentes, esta expressividade conserva-se e at\u00e9 exalta-se em alguns, resultando quase \u00f3bvio que, al\u00e9m da express\u00e3o e da atitude, cada sintoma \u00e9 um pedido de ajuda. Al\u00e9m disso, foi observado que os animais s\u00e3o capazes de certo &#8220;voluntarismo&#8221; com rela\u00e7\u00e3o a sua vida, tal \u00e9 o caso de c\u00e3es que, por terem morrido seus donos, &#8220;decidem&#8221; morrer tamb\u00e9m (cada leitor deve conhecer uma hist\u00f3ria semelhante). Apresento a seguir um epis\u00f3dio arrepiante de sobreviv\u00eancia volunt\u00e1ria, a mim relatado por uma pessoa pr\u00f3xima dos protagonistas da hist\u00f3ria, da qual foi testemunha ocular. Tratarei de resumi-lo.<\/p>\n<p>Um homem, por raz\u00f5es de trabalho, deve viajar e ausentar-se por um per\u00edodo bastante longo. Seu c\u00e3o, j\u00e1 velho, permanece em sua casa em companhia da fam\u00edlia. Na aus\u00eancia do dono, o cachorro adoece gravemente e o m\u00e9dico veterin\u00e1rio que o atende prognostica um desenlace fatal em curto prazo, chegando, inclusive, a propor a eutan\u00e1sia para evitar o que considerava uma agonia in\u00fatil. Os familiares preferem n\u00e3o tomar nenhuma decis\u00e3o sem o consentimento do dono que, ao ser comunicado do fato, decide regressar para casa. Enquanto isso, passam os dias e o cachorro permanece em um estado de estupor comatoso, n\u00e3o come nem bebe, apenas respira. Ningu\u00e9m, nem mesmo o m\u00e9dico veterin\u00e1rio, consegue explicar como \u00e9 poss\u00edvel que continue vivendo. J\u00e1 deveria estar morto. Permanece nessas condi\u00e7\u00f5es por quase uma semana. Finalmente o dono regressa e o cachorro, que tinha permanecido &#8220;inconsciente&#8221; todo esse tempo, ao entrar o dono, levanta a cabe\u00e7a e olha para ele. O dono aproxima-se e, chorando, o acaricia. No momento em que recebe a car\u00edcia, o cachorro morre. Como \u00e9 poss\u00edvel que propriet\u00e1rio e veterin\u00e1rio decidam, \u00e0s vezes t\u00e3o superficialmente, o destino de uma vida como esta? Algu\u00e9m poderia dizer e, de fato tenho ouvido isso muitas vezes, que \u00e9 &#8220;desumano&#8221; permitir a dor &#8220;in\u00fatil&#8221; de um c\u00e3o que nem tem esperan\u00e7as de salva\u00e7\u00e3o. Tenho mencionado a relatividade e subjetividade do conceito de incurabilidade, de modo que agregarei outra afirma\u00e7\u00e3o: creio que n\u00e3o existe nenhuma dor f\u00edsica que supere aquela que produz a certeza da morte artificial iminente produzida com a cumplicidade de quem se tem amado tanto. Poucas pessoas ignoram que os c\u00e3es percebem nossa atitude, ainda que n\u00e3o fa\u00e7amos absolutamente nada, de maneira que \u00e9 evidente que &#8220;sabem&#8221; o que vamos fazer e quando come\u00e7amos a faz\u00ea-lo. Quando chamamos nosso cachorro para sair para passear, ele vem imediatamente, por\u00e9m quando o chamamos para tomar banho (quando n\u00e3o gosta de banho) ele se esconde, ainda que nosso tom de voz possa ser igual. Quando o levamos ao consult\u00f3rio do veterin\u00e1rio, resiste a passar por este lugar, ainda que o caminho seja o mesmo que fazemos para lev\u00e1-lo \u00e0 pra\u00e7a. H\u00e1 ainda muitos outros exemplos. Como podemos pensar, ent\u00e3o, que ele n\u00e3o sabe que vamos mat\u00e1-lo? Ele sabe disso e nenhum sofrimento f\u00edsico \u00e9 compar\u00e1vel com a ang\u00fastia que este fato lhe produz. Quem j\u00e1 olhou nos olhos de um c\u00e3o neste momento, n\u00e3o esquecer\u00e1 jamais este olhar. Eu nunca o esquecerei. Como tamb\u00e9m n\u00e3o esquecerei nunca o \u00faltimo caso de &#8220;eutan\u00e1sia&#8221; que cheguei a praticar. Tratava-se de uma cadela com uma encefalite em per\u00edodo depressivo, que encontrava-se em coma havia quarenta e oito horas. Quando, em cumplicidade com o dono, convencidos de que era o melhor, tomamos a nefasta decis\u00e3o, preparei a seringa e, ao inclinar-me sobre meu paciente para injet\u00e1-la, come\u00e7ou a sacudir-se tentando, ainda inconsciente, levantar-se como para escapar. Estou absolutamente convencido de que ela sabia o que eu ia fazer. E, se eles conhecem as nossas inten\u00e7\u00f5es, como vamos abandon\u00e1-los justamente quando mais necessitam de n\u00f3s? N\u00e3o somos capazes de dedicar-lhes alguns dias, horas ou semanas, enquanto eles foram capazes de dedicar-nos toda sua vida? Estou me referindo principalmente aos c\u00e3es porque \u00e9 uma das esp\u00e9cies que t\u00eam maior contato com o ser humano e, portanto, nos sentimos familiarizados com eles. Todos, absolutamente todos os seres vivos, sofrem a morte e digo &#8220;a morte&#8221; e n\u00e3o exclusivamente sua pr\u00f3pria morte. Como exemplo disso bastaria remeter-se \u00e0s extraordin\u00e1rias experi\u00eancias relatadas no famoso livro A vida secreta das plantas. O \u00fanico que conhecemos da vida s\u00e3o suas manifesta\u00e7\u00f5es: uma das principais caracter\u00edsticas observadas na subst\u00e2ncia viva \u00e9 sua luta constante pela conserva\u00e7\u00e3o da vida. Cada c\u00e9lula, cada ser unicelular, cada part\u00edcula do protoplasma est\u00e1 lutando para conservar-se viva, para dispor do maior tempo poss\u00edvel para alcan\u00e7ar suas &#8220;metas biol\u00f3gicas&#8221;.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, este animalzinho que estamos planejando matar, n\u00e3o se sentiria feliz, apesar das dores de uma enfermidade que o est\u00e1 derrotando, em saber que estamos ao seu lado, lutando pela sua vida at\u00e9 o \u00faltimo momento? Cada ser vivo tem seu tempo. Seu tempo para nascer e seu tempo para morrer. N\u00e3o conhecemos as leis que regem a infinidade de circunst\u00e2ncias que conduzem ao nascimento de um novo ser, de um ser \u00fanico, in\u00e9dito, irreproduz\u00edvel, e a infinidade de circunst\u00e2ncias que determinam o final desta vida \u00fanica e in\u00e9dita. Matar \u00e9 apenas isso: matar, destruir a vida. Jamais devemos admitir que a morte artificial, provocada, possa produzir algum benef\u00edcio.<\/p>\n<p>Todo ser vivo tem o direito de viver at\u00e9 seu \u00faltimo instante, de dispor de todo seu tempo e de alcan\u00e7ar &#8220;seu pr\u00f3prio fim&#8221;, sua morte natural e esta \u00e9 a \u00fanica, a verdadeira eutan\u00e1sia. Todo o resto \u00e9 assassinato. &#8220;N\u00e3o matar\u00e1s&#8221;, nos diz um dos Mandamentos, e isto quer dizer tamb\u00e9m &#8221; n\u00e3o matar\u00e1s em teu cora\u00e7\u00e3o&#8221;, que significa a profunda e verdadeira atitude vital de respeito pela maravilhosa Cria\u00e7\u00e3o na qual estamos inclu\u00eddos. Em outras palavras, s\u00f3 o amor pode salvar-nos.<\/p>\n<p><strong>Juan Agust\u00edn G\u00f3mez \u00e9 m\u00e9dico veterin\u00e1rio homeopata.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 me deparei com essa quest\u00e3o: Fazer ou n\u00e3o fazer a eutan\u00e1sia em um animal de estima\u00e7\u00e3o? Sentia que algo estava errado em tirar a vida do bicho, mesmo que fosse para &#8220;evitar o sofrimento&#8221;. 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